24 de abril de 2017

Trilhas de vento





Arte:   olivia bee


Pés
Sonâmbulos
Respiram e
Conspiram
Passos para
O amanhã.

Vígil
O sujeito
Amputado
Sonha-se
Desbravando
Mundos.

No cárcere
Transparente
Os olhos cerram-se
Antes da despedida.

Todo anseio
De partida
Começa pelos
Pés descalços
Em trilhas de vento.






22 de abril de 2017

O rubro hino da resistência






Imagem: martha graham dance company


Estancando
A hemorragia
A morte virá.
Amordaçam
A boca talhada
Açude brutal
Erguido pela
Lógica, lógica
- O fio cirúrgico
Da razão.
Hemácias
Leucócitos
Plaquetas
Derramam-se
Embriagadas
Sobre a tela
O papel pálido
O barro molhado
O corpo em vertigem.
Estancando
A hemorragia
A morte virá.
Abundam
Nós cegos
Na garganta
A alma não
Canta o rubro
E cálido hino
Da resistência.
Partir o vaso
Rasgar a veia
Perfurar a carne
Amputar o silêncio
Para que jorrem
Versos
Versos
Versos
Versos
Estancando
A hemorragia
A morte virá
Corada como
Flor de sepultura.

O Livro Mágico de Joana: Febre vulcânica






Arte: Fernando Vicente



Poros
Com pupilas
Dilatadas
Enquanto
For noite.
Poucos
Ainda podem
Saber
Que amanhã
Uma flor doará
Espinhos .
Cataratas
Serão removidas
Dos minúsculos olhos
Que se alastraram na pele
- Órgão atemporal de ver.
Nem todas as dores são
Feridas de ontem ou hoje
- O amanhã refugia-se em
Braços ancestrais e anuncia
Que o vento ainda existirá
Que a brisa cessará de respirar
E o vendaval será sopro somente.
Poros esbugalhados
A pele inteira em transe
- Deusas em arrepios e um
Estranho frio profetizando
Que ninguém escapará.

21 de abril de 2017

A fecundação de um abismo







Arquipélago
De sonhos naufragados
Trêmulos chãos submersos
Incomunicáveis
- Solidão é mais que território ermo
Olhos sobreviventes da devastação
De um semblante apático;
Espécie de estrela cadente que
Se atira ao seu íntimo abismo e
Engravida-se de desejos enquanto

Morre.